top of page

Restaurante cheio, mas pouco lucrativo? O que o marketing pode estar a esconder

há 2 dias
5 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

restaurante pouco lucrativo

Há noites em que a sala está cheia, a equipa não tem um minuto de descanso e a sensação, ao fechar a porta, é de missão cumprida. Mas quando chegam as contas do mês, o entusiasmo desaparece: houve movimento, houve vendas e, ainda assim, sobrou menos dinheiro do que seria de esperar.


É uma das contradições mais desconfortáveis da restauração. Um restaurante pode parecer um sucesso visto da rua e continuar a ter dificuldades financeiras nos bastidores. E embora o marketing não explique sozinho a rentabilidade de um negócio, pode influenciá-la muito mais do que parece.


Ocupação não é sinónimo de rentabilidade


Uma mesa ocupada gera faturação, mas não garante margem. O resultado depende do que foi consumido, do custo dos produtos, da equipa necessária para servir, dos descontos aplicados, das comissões pagas e da capacidade de distribuir a procura ao longo da semana.


Imagine duas noites com o mesmo número de clientes. Numa, a maioria chega através de uma promoção agressiva e escolhe os pratos com menor margem. Noutra, as reservas são diretas, o consumo inclui bebidas e sobremesas e a operação consegue trabalhar sem reforços inesperados. A ocupação é semelhante; a contribuição para o negócio pode ser muito diferente.


É por isso que medir o sucesso do marketing apenas pelo número de reservas ou pelo movimento da sala pode criar uma imagem incompleta. A pergunta mais útil é quanto valor fica no negócio depois de servir os clientes que a estratégia trouxe.


Quando atrair mais clientes deixa de ser a resposta


É natural querer mais procura nos dias vazios. O problema surge quando a mesma lógica é aplicada indiscriminadamente, incluindo nos horários em que o restaurante já tem dificuldade em responder à procura.


Promover um sábado à noite que habitualmente esgota pode significar pagar para conquistar uma reserva que aconteceria de qualquer forma. Pior ainda, uma campanha baseada em descontos pode substituir clientes dispostos a pagar o preço normal por outros que deixam menos margem.


Isto não significa que promoções sejam sempre uma má decisão. Podem fazer sentido para lançar uma experiência, testar um horário ou estimular períodos de menor movimento. O essencial é perceber o que acrescentam realmente, em vez de confundir vendas atribuídas à campanha com vendas que só existiram por causa dela.


O custo de aquisição precisa de conversar com a margem


O custo de aquisição de clientes é frequentemente analisado como se fosse um número isolado. Mas gastar dez euros para conseguir uma reserva não é bom nem mau sem conhecer o valor económico dessa reserva.


É preciso considerar o número de pessoas por mesa, o consumo médio, a margem de contribuição, eventuais comissões e a probabilidade de regresso. Uma campanha que traz clientes com maior consumo e boa retenção pode justificar um custo de aquisição superior ao de uma campanha barata que atrai apenas compras ocasionais e fortemente descontadas.


Também importa distinguir reservas de clientes efetivamente atendidos. Cancelamentos, faltas e alterações no tamanho do grupo afetam o resultado e tornam enganadora uma análise baseada apenas em cliques ou formulários submetidos.


O ticket médio é importante, mas não conta a história toda


Aumentar o ticket médio pode ser uma oportunidade, desde que a estratégia não incentive simplesmente a vender mais a qualquer custo. Uma sobremesa com boa margem, uma sugestão de vinho adequada à refeição ou um menu bem estruturado podem melhorar o resultado sem prejudicar a experiência.


Por outro lado, empurrar produtos pouco rentáveis ou criar combinações excessivamente descontadas pode elevar o valor da conta e reduzir a margem percentual ou absoluta. O que interessa não é apenas quanto o cliente gasta, mas quanto desse consumo contribui para pagar a estrutura e gerar lucro.


Marketing, menu e operação precisam de estar ligados. Quando a comunicação promove aquilo que a cozinha consegue entregar bem e que faz sentido para a economia do restaurante, o crescimento torna-se mais saudável.


A semana tem mais oportunidades do que o sábado à noite


A procura raramente se distribui de forma uniforme. Há restaurantes com sextas e sábados fortes e terças-feiras difíceis, almoços movimentados e jantares imprevisíveis, ou épocas turísticas que escondem fragilidades nos restantes meses.


Uma estratégia de marketing eficiente olha para essa distribuição antes de decidir onde investir. Em vez de aumentar indiscriminadamente o orçamento, pode trabalhar públicos, ocasiões de consumo e mensagens específicas para períodos com capacidade disponível.


Um menu de almoço para profissionais da zona, uma experiência de meio da semana para residentes ou uma proposta direcionada a grupos pequenos podem ser mais relevantes do que tentar encher ainda mais os períodos de maior procura. Naturalmente, cada iniciativa deve ser validada à luz dos seus custos incrementais e da capacidade da operação.


Clientes que regressam podem mudar a economia do negócio


A aquisição é importante, sobretudo para restaurantes novos. Mas depender permanentemente de publicidade, descontos ou intermediários para trazer cada cliente pode tornar o crescimento caro.


Uma experiência consistente, acompanhada por uma comunicação relevante e consentida, ajuda a criar razões para voltar. Novidades de menu, eventos, ocasiões especiais e relações construídas ao longo do tempo podem reduzir a necessidade de conquistar a mesma atenção repetidamente.


Não se trata de presumir que todos os clientes habituais são automaticamente mais rentáveis. Trata-se de acompanhar frequência, consumo e margem por grupos de clientes para perceber onde existe valor duradouro.


O que vale a pena medir, para além das reservas


O dashboard de marketing ganha outra utilidade quando deixa de olhar apenas para alcance, cliques e conversões. A análise pode cruzar os dados das campanhas com informação da operação e das vendas, respeitando as limitações dos sistemas disponíveis.


Alguns indicadores particularmente úteis são a receita e a margem de contribuição por período, o consumo médio por cliente, o custo por reserva efetivamente realizada, as comissões por canal, as taxas de cancelamento e falta, a ocupação por dia e horário e a frequência de regresso. Nenhum destes números, isoladamente, conta a história completa.


O objetivo não é transformar o restaurante numa folha de cálculo. É evitar decisões baseadas apenas na sensação de casa cheia e conseguir perceber onde cada euro investido produz valor real.


Uma estratégia de crescimento precisa de olhar para o resultado


Quando marketing e gestão financeira trabalham separados, é fácil celebrar campanhas que geram reservas sem perceber o que acontece à margem. O contrário também acontece: cortar investimento porque parece caro, mesmo quando está a atrair clientes valiosos para horários com capacidade disponível.


Na MYK, acreditamos que o marketing para restaurantes deve começar com o contexto do negócio. Antes de decidir campanhas, canais e mensagens, importa compreender a procura, a operação, os objetivos e os indicadores que realmente interessam.


Um restaurante cheio pode ser uma excelente notícia. Mas o verdadeiro crescimento aparece quando essa procura se transforma num negócio mais sólido, com clientes que valorizam a experiência e resultados que fazem sentido depois de pagar a conta.

 
 
bottom of page